17 de junho de 2013 – As Jornadas de Junho tornam-se massivas

A imagem mostra o Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, repleto de pessoas no início do ato do dia 17 de junho de 2013.

Por Gustavo Seferian

As Jornadas de Junho de 2013 tiveram no dia 17 certamente seus mais surpreendentes eventos.

Depois dos ocorridos no dia 13 do mesmo mês, em que a truculência da polícia fez irromper uma segunda Batalha da Maria Antonia, o ato contra o aumento da passagem de ônibus foi chamado não mais para o centro de São Paulo, mas para o Largo da Batata.

A surpresa começou na chegada: mesmo antes do horário marcado, se perdia de vista o número de pessoas.

Tornou-se impossível encontrar amigx, colegas e camaradas.

Pelo ofício que na época exercia, a advocacia, estava destacado para com outrxs camaradas tomar a dianteira na segurança da organização que militava, o CSOL. Não conseguíamos nem se comunicar, pouco nos cruzávamos. Parado na Av. Faria Lima, esperando nosso “bloco” chegar, a quantidade de pessoas que transitava e passava era imensa. Não paravam de passar.

Indo para onde? Ninguém sabia bem.

Paramos no Palácio dos Bandeirantes, quilometros e quilometros dali.

Um dia marcante, uma energia que nunca tinha visto, em que pese com energia tive também que agir em um certo momento que tentaram puxar minha bandeira do PSOL para o chão (energia essa que não foi possível manter dias depois as mesmas em riste).

Chegando em casa, pude também ver as notícias: no Rio de Janeiro, os atos certamente alçaram o milhão de pessoas nas ruas. Em Brasília, as casas de poder foram escaladas e simbolicamente tomadas pelos manifestantes. Outras grandes e pequenas cidades tiveram atos significativos. O brado que a indignação não era por 20 centavos tomou o país.

Como todo movimento, se colocou em disputa. Na certa, esta não foi vencida por forças políticas progressistas ou revolucionárias. Parte decisiva disso teve conta o Governo Federal de então: seja criminalizando desde o momento zero os manifestantes, tomados por baderneiros, seja por não dar ouvido aos gritos das ruas, serviu de contraponto político que ensejou no esmorecer do processo ou, como alguns leem, em sua degeneração.

Seja a interpretação que venha a ser dado para esse processo, um outro grito não se faz calar desde então: amanhã (ou depois de amanhã) vai ser maior!

16 de junho de 1975 – Levante de Soweto


A imagem mostra o estudante Hector Pieterson, de 13 anos, assassinado na manifestação, sendo carregado após ser baleado.

Por Gustavo Seferian

Em uma marcha pacífica, mais de 20 mil estudantes protestavam contra a desigualdade educacional existente na África do Sul marcada pelo apartheid, em que as escolas segregadas encontravam-se em um grau de precarização acentuadíssimo.

A manifestação foi reprimida pelas forças policiais, apontando os dados oficiais que 95 estudantes foram mortos por fuzilamento, enquanto um dado consolidado pela historiografia autorizada alcança o dobro desse número, sabendo-se de contas que o alçam a quase sete centenas de vítimas.

15 de junho de 1918 – Inicia-se o movimento que ensejou a Reforma Universitária de Córdoba

A imagem mostra foto de estudantes que ocuparam a Universidad de Córdoba hasteando bandeira em seu cume

Por Gustavo Seferian

Muito embora o movimento por democratização do ensino universitário e a construção de uma universidade popular latino-americana já se desse há algum tempo, tem no dia 15 de junho de 1918 momento simbólico. Foi nessa data que as e os estudantes da universidade tomaram fisicamente suas instalações, impedindo a realização de eleição para reitor que teria como consequência a manutenção do estado de coisas que se colocavam contrários.

Universalizando o acesso, consagrando a autonomia universitária, a realização de concursos públicos para professores e ,mais relevante, a cogestão dos setores que compõem a vida universitária no ditar de seus rumos, serve-nos de inspiração para não só conter a onda de retrocessos que se coloca ante as universidades brasileiras, mas também para que aprofundemos a participação popular na construção desta indispensável instituição.

14 de junho de 1928 – Nasce Ernesto Guevara

A imagem mostra Che Guevara, com sua sempre presente boina, fazendo um pronunciamento na Radio Rebelde

Por Gustavo Seferian

Parafraseando Milanés, o que dizer de Che, se é ele o poeta?

Médico argentino e cubano, revolucionário e amigo do povo oprimido, segue sendo guia de todos os espíritos inquietos de ontem e hoje, e por certo dos que virão.

Um viva a essa linda e fulgurante vida!

13 de junho de 1381 – Liderados por Wat Tyler, camponeses em revolta queimam o Palácio Savoy

A imagem mostra o quadro “Os camponeses (Wat Tyler) queimam o Palácio Savoy”, de Alfred Garth Jones. A representação mostra o castelo queimado e uma batalha ocorrendo em primeiro plano.

Por Gustavo Seferian

No bojo de uma das mais relevantes rebeliões camponesas do medievo europeu, trabalhadoras e trabalhadores liderados por Wat Tyler, indignados com a instituição de novo imposto, incendiam o Palácio Savoy.

Não só os aristocratas que nele estavam foram queimados, como também foram todas as joias encontradas no lugar marteladas e destruídas. Conta a história, confirmando o caráter popular da rebelião, que um dos rebeldes foi assassinado pelos insurretos por tentar sair do palácio com um cálice de prata.

Muito embora a rebelião tenha sido infrutífera, e Tyler assassinado dias depois deste evento, foi um importante marco para o fim da servidão feudal.

12 de junho de 2014 – Inicia-se a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, sob forte marca da repressão

A imagem mostra um cordão policial contendo a passagem do ato marcado para 12 de junho de 2014

Por Gustavo Seferian

Nada de novo sob o sol do capital.

Repetindo os motes repressivos que marcaram as mobilizações de trabalhadores e trabalhadoras na Copa do Mundo da África do Sul, quatro anos antes, e dos movimentos que solavancaram o país no ano anterior, aos ventos da Copa das Confederações, a Copa do Mundo de 2014 começa no Brasil sob o mesmo signo.

Depois de marchas imensas, com forte presença do MTST e outros movimentos sociais e sindicais, até o Itaquerão, estávamos com tudo programado para que no dia 12 de junho, data do início da Copa no Brasil – aquela das leis de exceção, da entrega da soberania, das remoções forçadas, do assassinato de periféricos e do futebol, entre outras marcas -, partir com novo ato desde a sede do Sindicato dos Metroviários de São paulo, que fica no Tatuapé, até o novo estádio do Corinthians.

O ato simplesmente não pode sair. Ficou cercado em sua concentração, com policiais fechando os quarteirões em que nos portávamos para a marcha. O dia já tinha começado péssimo para os metroviários em greve, reprimidos em seu local de trabalho. E se desfecha tanto pior: para além de não deixar o ato partir, a repressão foi imensa, e tivemos que nos refugiar na quadra da sede da entidade sindical. Uma trégua foi negociada, apenas para que quem não quisesse se sujeitar à repressão, pudesse se retirar. Sem bandeiras em riste. Um ensaio para os dias de aprofundamento do défice democrático que seguimos experimentando.

11 de junho de 1963 – Negras e negros estadunidenses arrancam o Civil Rights Act

A foto mostra um rapaz negro com uma placa escrita “Give us american rights” (“Dê-nos direitos de americanos”) confrontado por um risonho rapa branco com uma placa escrita “Go home negro” (“Vá para casa, negro”)

Por Gustavo Seferian

Expondo a cara branca de uma nação envergonhada, J.F. Kennedy declara ao povo estadunidense a aprovação do Civil Rights Act, que põe fim às leis de segregação nos Estados Unidos.

Fruto de imensas lutas, em que muitos lutadores e lutadoras tombarams, foi passo importante para uma luta maior que ainda está por vir: a libertação plena de negras e negros, e de toda humanidade, do jugo desta ordem podre.

10 de junho de 1971– Halconazo

Em movimento contra projetos de lei que visavam promover contrarreformas no ensino e na autonomia de instituições de ensino, organizam entidades dos mais diversos níveis educacionais um ato na Cidade do México no curso do feriado de Corpus Christi.
A mando do Estado mexicano e como parte de sua guerra suja, um grupo paramilitar chamado “Los Halcones” intercede na mobilização e assassina mais de 120 estudantes, entre 14 e 22 anos, isso apenas três anos depois do ainda mais sangrento Massacre de Tlatelolco.

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