8 de agosto de 1942 – Inicia-se o movimento Quit India

Por Gustavo Seferian

Contados de hoje 78 anos, teve inicio um dos mais importantes movimentos que impulsionaram o fim do jugo colonial na Índia.

Levando no dia seguinte à prisão de um de seus principais líderes, Mahatma Gandhi, catalisou a afirmação auto-determinda dos povos do subcontinente indiano e fez ruir o já moribundo império britânico.

07 de agosto de 2006 – Foi promulgada a Lei Maria da Penha

Por Carla Benitez

Prefiro pensar leis protetivas de grupos oprimidos e explorados como possíveis momentos das lutas das maiorias. A Lei Maria da Penha foi a expressão de um acúmulo de reivindicações e engajamentos de grupos feministas nas décadas anteriores.

Nestes 14 anos é inegável que esta Lei empurrou Estado e sociedade a visibilizar as especificidades das variadas e combinadas formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Colocou na pauta do noticiário, nas conversas cotidianas e se apresentou como urgente necessidade de se efetivar uma política pública especializada de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar – com o nosso tensionamento constante para que esta rompa com a ideologia familista e não aprofunde processos de revitimização e racismo institucional.

De lá pra cá, o neoliberalismo em crise aprofunda a estrutural violência de gênero. De um lado, a precarização e vulnerabilização da vida das mulheres trabalhadoras, de outro uma masculinidade tóxica colocada em xeque quando a ilusão de um suposto lugar provedor e dominador não se sustenta em leve sopro.

Ciente de que nem todas almejam o caminho de “ir às últimas consequências” trilhado pela senhora Maria da Penha e, assim, buscando costurar por dentro as críticas aos limites do apelo ao sistema penal e à sua impossível função de proteção de direitos humanos, é preciso que se registre a data desta importante conquista feminista no Brasil, fazendo da sua defesa intransigente uma forma de resistência à política de ataque e destruição aos direitos humanos especiais das mulheres.

A Lei Maria da Penha não basta, mas sua defesa e superação positiva são imprescindíveis enquanto uma de nós estiver sofrendo os efeitos violentos do patriarcado em nossos lares.

6 de agosto de 1960 – Fidel e Raúl Castro anunciam a Lei 851, que nacionaliza as propriedades de empresas estadunidenses em Cuba

A imagem mostra Fidel Castro, junto a outras pessoas, prestes a iniciar seu discurso no Estadio del Cerro

Por Gustavo Seferian

Em um dos mais importantes passos tomados pela revolução cubana em sua deliberada conformação socialista, são nacionalizados os bens de empresas estadunidenses.

O fato foi anunciado no Estadio del Cerro – hoje, Estadio Latinoamericano – e veio como resposta às medidas de embargo aplicadas pelo governo Eisenhower.

No texto lido, escutou a multidão reunida no espaço desportivo:

Se dispone la nacionalización, mediante la expropiación forzosa, y por consiguiente se adjudican a favor del Estado cu­bano, en pleno dominio, todos los bienes y em­presas ubicados en el territorio nacional, y los derechos y acciones de emergentes de la explotación de esos bienes y empresas, que son propiedad de las personas jurídicas nacionales de los Estados Unidos de Norteamérica, u operadoras empresas en que tienen intereses predominantes nacionales de dicho país, que a continuación se relacionan.

Seguiu então a fala nominando as empresas, dentre as quais estavam a United Fruit Co. – a mesma do massacre das bananeiras, já tratado nesse Calendário Insurgente – , Texaco, Esso, Sinclair

O governo cubano, como em outras tantas ocasiões, dava não só exemplo de coragem como também que só pela auto-determinação – mediada, no caso e ainda, pela soberania nacional – os oprimidos podem fazer frente ao jugo imperialista.

5 de agosto de 1895 – Perdemos Friedrich Engels

A foto mostra Engels jovem, em trajes clássicos, barba curta e lenço no pescoço

Por Gustavo Seferian

Há exatos 125, perdíamos Friedrich Engels.

Intelectual brilhante e autêntico – trouxe diversas contribuições originais ao campo teórico, isso para além de ser parceiro da mais quente hora e legatário de Marx –, militante comprometido – militando desde o fim da primeira metade do século XIX, sendo depois um dos principais articuladores da II Internacional – e arguto intérprete de nosso mundo – contribuindo com olhares originais e obras de caráter vanguardista inescapáveis, como a Situação da classe trabalhadora na Inglaterra e a Origem da família, da propriedade privada e do Estado -, Engels reclama ser retirado da sombra da colossal figura de Marx para que possa, em suas particulares contribuições e tropeços, ser entendido enquanto sujeito autônomo.

Afinal, resgatando Maiakovsky desde Caetano e Campos, gente é pra brilhar. E poder reconhecer cada um de nossos brilhos – já que mais brilho é MAIS BRILHO! – faz-se sempre necessário!

4 de agosto de 1919 – Tropas romenas ocupam Budapeste e colocam fim à resistência comunista constituída com a República dos Conselhos

A imagem mostra Béla Kun discursando em Budapeste a uma multidão apinhada até mesmo em postes e prédios

Por Gustavo Seferian

Ainda que a historiografia oficial projete o fim da República dos Conselhos ao dia 1o de agosto de 1919, esse ato foi a derradeira estocada em um coração que, agonizante, ainda pulsava desde Budapeste.

O regime burocrático experimentado no país após a II Guerra Mundial acabou se amarrando a esta potente experiência, e ainda macula em muito sua memória, bastando lembrar o quanto a marca do “comunismo” é profundamente negativa no país hoje governado por Viktor Órban.

Que possa o povo húngaro, redimido das experiências políticas de cariz estalinista e neofascista, possa novamente se aglomerar – como em 1919, como em 1956! – reivindicando o novo desde a radicalidade democrática e socialista!

3 de agosto de 1977 – Como resposta à explosão da mina de Chipanga 3, irrompe uma rebelião popular

A imagem mostra uma locomotiva encalhada e completamente enferrujada, com arbustos crescendo sobre ela, e uma dupla de jovens passando com uma motocicleta na sua frente

Por Gustavo Seferian

Como em outras tantas experiências que marcam o processo de exploração do povo africano e da dilapidação das riquezas naturais do continente, a explosão da mina Chipanga 3, em Moatize, Moçambique, fez revelar a imbricada relação existente entre o modo de produção capitalista, a destruição de vidas humanas e da natureza não-humana.

A explosão, dada no dia 2 de agosto de 1977, matou 64 trabalhadores. Um ano antes, uma explosão no mesmo complexo, na mina Chipanga 6, matara 98 trabalhadores.

Estupefatos com o descaso com suas vidas, os mineiros se colocaram em luta e se rebelaram contra os gestores – estrangeiros, europeus! – da mina, assassinando nove agentes da colônia, que perdurou afirmando seu domínio e o sentido da organização da vida das moçambicanas e dos moçambicanos mesmo após a independência do país, conquistada pela guerra de libertação finda dois anos antes.

Que o trem abandonado, que marca hoje a paisagem de Moatize, nos recorde que é apenas a ação insurrecional que nos fará acionar o freio de emergência desta locomotiva que nos leva ao abismo e à morte.

2 de agosto de 1953 – No marco da Revolução Boliviana, tem início a reforma agrária e institui-se o Dia do Índio

A imagem mostra trabalhadores rurais bolivianos com enxadas erguidas ao alto

Por Gustavo Seferian

Complexo, duradouro e tristemente interditado, o processo revolucionário boliviano encadeou conquistas políticas e sobressaltos. No dia 2 de agosto de 1953, dois importantes marcos foram alcançados: o início da reforma agrária, medida indispensável para ceifar as desigualdades históricas postas no país pelos processos de despossessão dos povos originários em suas formas de reproduzir a vida, e o reconhecimento do Dia do Índio, que remete às bases constitutivas da massa da população oprimida da Bolívia, que, explorada historicamente, dá a sustentação à riqueza concentrada de uma meia dúzia de agentes estrangeiros do capital.

Ainda hoje…

1o de agosto de 1902 – Explode a mina de carvão do Monte Klemba

A imagem mostra algumas dezenas de trabalhadores sobre os escombros de pedras que se amontoaram nas portas da mina do Monte Klemba

Por Gustavo Seferian

Na virada do dia 31 de julho para o dia 1o de agosto – dia da Pachamama -, explodiu na região de Wollongong, Austrália, a mina de carvão do Monte Klemba.

Sendo este um dos maiores acidentes de trabalho da história australiana, assassinando 96 trabalhadores – em sua massa maioria jovens -, não trouxe, efetivamente, grandes contribuições às perspectivas de saúde e segurança no trabalho no país: muito embora tenha se constatado que a explosão resultou do uso de iluminação inflamável, isso após contato com um vazamento de gás, é certo que o uso destes meios de prover visibilidade levaram ainda quatro décadas para serem proibidas na mineração.

Mais um mês de luta

A imagem mostra diversos homens, mulheres e crianças moçambicanas com punho em riste, no ano de 1975, nos marcos da libertação do jugo colonial

Por Gustavo Seferian

O blog parou. Mas a memória seguiu retumbando, pois a luta dos oprimidos e oprimidas nunca cessou em toda sociedade de classe, e não cessará enquanto não virarmos esse mundo em festa, trabalho e pão.
Condensamos aqui mês e meio de atraso público, expresso em ebulição permanente, de saltos e retrocessos, trunfos e derrotas, lições valorosas para hoje e sempre.

  • Em 1973, o dia 20 de junho foi marcado pelo massacre de Ezeiza. Nas imediações do aeroporto internacional de Buenos Aires, partidários peronistas de diversas nuances políticas o esperavam retornar do seu último exílio. Antes de sua chegada, peronistas de extrema direita abatem a tiros, após conflito, militantes revolucionários motoneros;
  • Em 1830, no 21 de junho, nasce, filho de mãe escravizada, Luís Gama. Rábula, artífice da libertação de escravizados e escravizadas no país, foi, sem dúvidas, uma das figuras que mais me orgulho de ter dividido os bancos da Faculdade que cursei. Nove anos depois, veio ao mundo outro herói negro, crítico da escravidão, Machado de Assis;
  • Em 1920, no 22 de junho, em Milão, uma manifestação de ferroviários acaba com forte repressão policial, resultando na morte de cinco jovens trabalhadores e muitos outros feridos;
  • Em 1936, no 23 de junho, nasce Carlos Fonseca, herói da revolução nicaraguense;
  • Em 1535, no 24 de junho, é debelado o Estado anabatista de Munster, que guardava por principal liderança Bernard Rothmann;
  • Em 1975, no 25 de junho, Moçambique consegue sua independência depois de largos anos de luta pela libertação. Como aprendi nos cantos da FRELIMO, dia de “liberdade e alegria”!;
  • Em 1968, no 26 de junho, ocorre a passeata dos 100 mil, em resposta ao assassinado do estudante Edson Luís de Lima Souto, que protestava no “Calabouço” – refeitório estudantil – contra o aumento do preço das refeições;
  • Em 1869, no 27 de junho, nasce na Lituânia Emma Goldman, revolucionária anarquista, que manteve seu vigor militante até os últimos dias da vida;
  • Em 1945, no 28 de junho, nasce na Bahia Raul Seixas, um dos nossos grandes rebeldes da cultura, que me acompanha desde a primeira infância como influência;
  • Em 1941, no 29 de junho, nasce Stokely Carmichael, revolucionário tobaguenho, primeiro ministro honorário dos Panteras Negras;
  • Em 1892, no 30 de junho, tem início a greve de Homestead, que uma semana depois teria um desfecho tenebroso, com o assassinato de diversos operários do aço por parte de agentes da Pinkerton;
  • Em 1863, no 1o de julho, comemora-se o primeiro Keri Koti, a abolição da escravatura em Suriname;
  • Em 1823, no 2 de julho, desfecha o processo insurrecional conhecido como independência da Bahia, que em verdade é nossa verdadeira independência popular, ao revés da ocorrida no ano anterior, de caráter palaciano;
  • Em 1917 – ah, que ano! -, no 3 de julho, nasceu João Saldanha, comunista, jornalista e técnico de futebol. Técnico da seleção brasileira em 1970, foi afastado de seu posto pouco antes da Copa do Mundo por conta de seus posicionamentos políticos, que sempre defendeu abertamente, nos lembrando que o futebol nunca foi apenas um jogo;
  • Em 1899, no 4 de julho, nascia Benjamin Péret, poeta surrealista e militante trotstkista, que grande parte teve no pensar e transformar do Brasil;
  • Em 1924, no 5 de julho, começa a Revolução Esquecida, em São Paulo, processo que desemboca na criação da Coluna Prestes;
  • Em 1988, no 6 de julho, mesmo dia do nascimento de Frida Kahlo, um dos maiores desastres socioambientais da história ocorre no mar da Escócia, com a explosão da plataforma de petróleo Piper Alpha;
  • Em 1953, no 7 de julho, Ernesto “Che” Guevara começa sua viagem de motocicleta pela América Latina;
  • Em 1942, no 8 de julho, são libertados os três presos de Bragado, na Argentina, militantes anarquistas injustamente detidos desde 1931;
  • Em 1917 – novamente! -, no 9 de julho, é abatido a tiros o jovem sapateiro espanhol José Martinez, no curso da greve geral que irrompia em São Paulo. Sua morte, dias depois, levará à massificação do movimento;
  • Em 1909, no 10 de julho, nasce Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, que com suas esculturas marcou de modo indelével a cultura popular brasileira;
  • Em 1893, no 11 de julho, irrompe a primeira revolução nicaraguense, que, limitada, liberal, coloca Zelaya no poder;
  • Em 1975, no 12 de julho, também no bojo das lutas que resultaram as guerras coloniais, o povo de São Tomé e Príncipe conquista sua independência;
  • Em 1990, no 13 de julho, é promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil, que em seus primados normativos ainda traz batalhas indispensáveis a serem implementadas em nossa realidade social brasileira;
  • Em 1958, no 14 de julho, mesma data da tomada da Bastilha, irrompe a revolução democrática e anti-monárquica iraquiana;
  • Em 1927, no 15 de julho, Viena é palco de um massacre operado pela polícia nacional, que assassinou 89 militantes social-democratas e, no bojo do conflito, levou à morte de 5 agentes da repressão;
  • Em 1809, no 16 de julho, forma-se no bojo da primeira revolução boliviana a Junta Tuitiva, primeiro governo independente da América Latina;
  • Em 1979, no 17 de julho, no bojo da revolução sandinista, Somoza deixa seu cargo e foge para Miami, vindo a renunciar à presidência nicaraguense no dia seguinte;
  • Em 1981, no 18 de julho, milhares de pessoas saem as ruas de Dublin em apoio à greve de fome dos militantes do IRA presos em regime especial, sendo o movimento duramente reprimido, resultando em mais de 200 feridos;
  • Em 1893, no 19 de julho, 5 anos antes de Herbert Marcuse, nasce Vladimir Maiakovsky, poeta revolucionário russo;
  • Em 1913, em 20 de julho, nasce Lucien Goldmann, professor, teórico e militante marxista;
  • Em 1948, em 21 de julho, nos marcos da perseguição anti-comunista, são presos diversos dirigentes comunistas nos Estados Unidos, por força da Lei Smith;
  • Em 1920, em 22 de julho, nascia Florestan Fernandes, um de nossos maiores teóricos e revolucionários;
  • Em 1993, na madrugada do dia 23 de julho, ocorria a chacina da Candelária, que deixou 8 jovens mortos;
  • Em 1936, no dia 24 de julho, no bojo da Revolução Espanhola, a Coluna Durutti, composta por 2500 pessoas, sai de Barcelona visando a libertação de Zaragoza;
  • Em 1851, no dia 25 de julho, é conquistada a manumissão das pessoas escravizadas no Equador;
  • Em 1953, no dia 26 de julho, uma coluna de jovens guerrilheiros assalta o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba. Liderados por Fidel Castro, e não obstante a derrota da insurreição, do processo faz-se irromper o Movimento 26 de julho, gérmen da revolução cubana que depois de 6 anos viria a triunfar;
  • Em 1979, no dia 27 de julho, nasce Marielle Franco, nossa lutadora executada pelas milícias, cuja vida e luta recordamos todos os dias;
  • Em 1821, no dia 28 de julho, José de San Martin declara a independência do Peru;
  • Em 1848, no dia 29 de julho, irrompe no cerne da Primavera dos Povos a insurreição irlandesa de Tipperay, que como outros tantos levantes no ano acaba malfadado;
  • Em 1811, no dia 30 de julho, Miguel Hidalgo, artífice da libertação mexicana, é executado;
  • Em 1974, no dia 31 de julho, Rodolfo Ortega Peña é assassinado pela Alianza Anticomunista Argentina – ou simplesmente Triple A -, congênere argentino do Comando de Caça a Comunistas – o CCC;
    A partir de amanhã, voltaremos com postagens diárias!=D
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