9 de junho de 2019 – Com mais de um milhão de pessoas nas ruas, o povo de Hong Kong se coloca contra a lei de extradição

A foto mostra as ruas de Hong Kong repletas de pessoas em ato público contra a lei de extradição

Por Gustavo Seferian

Repletas de impressionismos, avaliações espetacularizadas, contaminação por fake news e pouquíssimas informações, as leituras sobre as mobilizações populares de Hong Kong entre 2019 e 2020 foram invariavelmente reduzidas pela esquerda a um levante pró-yankee.
Este fato é inverídico.
De caráter popular e voltado à atenção de genuínos interesses das e dos trabalhadores do país, irrompeu na luta contra um projeto de lei que facilitava extradições. Seu ápice se deu em 9 de junho de 2019, em que mais de um milhão de pessoas foram às ruas, seguindo em fervor nos meses subsequentes.
Para mais informações, vide de Wilfred Chan, “Hong Kong’s Fight for Life” e e do Bureau da IV Internacional “The International Left Must come to the aid of the Hong Kong people”.

8 de junho de 1929 – Assassinato de Gonzalo Bravo Pérez

A imagem mostra Gonzalo Bravo Pérez com trajes formais

Por Gustavo Seferian

Em luta pela responsabilização dos agentes condutores do Massacre das Bananeiras – incidente em que mais de 1800 trabalhadores e trabalhadoras da United Fruit Co. foram assassinados na Colômbia após realizarem uma grande greve -, Gonzalo Bravo Pérez, jovem estudante de Direito da Universidad Nacional, foi abatido a tiros pelas forças policiais que reprimiam o ato.

Tem hoje a data da sua morte comemorada em sua terra natal como o Dia do Estudante.

6 de junho de 1832 – Finda derrotada a Rebelião de Junho

A imagem mostra gravura retratando cena de tropas da cavalaria sendo atacadas por insurretos lotados nos prédios da Rue Saint Antoine, em Paris, que atiram objetos diversos nos militares na rua

Por Gustavo Seferian

Eternizada por Victor Hugo em Les Misérables, a rebelião de junho de 1832 trouxe consigo reclamos de liberdade, ideais republicanos e reivindicações anti-monárquicas às ruas de Paris. Teve por gatilho a morte do militar e homem político Jean Maximillien Lamarque, feroz combatente da moribunda aristocracia.

As barricadas, que começam a se erigir no dia 5, não sustam por muito tempo, tombando ante a repressão estatal no dia 6 de junho de 1832.

5 de junho de 2009 – Massacre de Bagua

A imagem mostra policiais atirando em manifestantes em uma estrada

Por Gustavo Seferian

Por 65 dias seguidos, lutadores e lutadoras indígenas do Peru – sobretudo articulados na Asociación Interétnica de Desarrollo de la Selva Peruana – colocam-se em ofensiva contra projetos de mineração e extração petrolífera que pretendiam ser implementados em seus territórios.

Visando implementar à força tais projetos extrativistas, Alan Garcia ordena a repressão do movimento, inciando-se em Bagua um dos mais sangrentos massacres experimentados na América Latina no último período. A resistência foi ainda mais aguerrida, na busca da garantia de seus meios de vida. Foram ao menos 10 indígenas mortos, 150 feridos, outras dezenas de detidos, e 23 baixas das forças de repressão.

4 de junho de 1989 – Massacre da Praça da Paz Celestial

A imagem mostra milhares de pessoas em protesto na Praça da Paz Celestial

Por Gustavo Seferian

Depois de dezenas de dias de manifestações populares massivas na Praça Tian’anmen, em Pequim, inicia-se a repressão do movimento, que resultará em milhares de mortes.

As demandas das e dos manifestantes eram várias e reclamavam, fundamentalmente, liberdades civis e políticas, a lembrar-nos, permanentemente, que não há socialismo sem liberdade e a liberdade plena só se fará pelo socialismo.

3 de junho de 1896 – Nascimento de Isaac Puente Amestoy, médico revolucionário


A imagem mostra foto de Isaac Puente Amestoy, em trajes formais

Por Gustavo Seferian

Pensador do anarco-comunismo, militante revolucionário na guerra civil espanhola, articulador da CNT, foi médico responsável por cuidar de muitos combatentes do nosso lado da barricada, isso para além de ter formulado sobre paradigmas de uma boa saúde em um mundo virá, a ser feito por nós.

Morreu, como muitos e muitas, assassinado pelas tropas franquistas ainda em 1936.

2 de junho de 1843 – Nos engenhos de Ácana e Concepción, levantam-se escravizadas e escravizados contra sua dura exploração

A imagem mostra escultura memorial de Carlota, Eduardo e Gangá Manuel, líderes da rebelião do engenho Triunvirato, em Matanzas, Cuba, localizada nas ruínas da fábrica de açúcar

Por Gustavo Seferian

Uma onda rebelde tomou os engenhos de açúcar cubanos em 1843.

Liderados por Carlota, negra escravizada e rebelde, e, como nos chegam os relatos, comunicando-se por tambores, dezenas de engenhos foram objeto de sublevações contra o jugo escravista.

Carlota foi morta e esquartejada em março de 1844, tombando em luta junto às pessoas escravizadas que trabalhavam no engenho San Rafael.

Mesmo livre há tempos, seguiu lutando até o último momento de sua vida, para por fim ao jugo da escravidão.

1o de junho de 1649 – Agustin Sumuroy inicia a insurreição filipina contra a colonização espanhola


(A imagem mostra representação do rosto de Agustin Sumuroy)

Por Gustavo Seferian

Há 371 anos, desde Palapag, irrompe uma das grandes rebeliões do povo filipino contra a colonização espanhola. Sua principal razão de embate era a extinção do “polo y servicio”, regime de trabalho servil instituído pelos colonizadores.

Liderada por Agustin Sumuroy, insurgente da etnia waray, chegou a estabelecer novamente o poder autodeterminado das populações originárias.

Exatamente um ano depois do início da rebelião, Sumuroy – que passa a dar nome à rebelião, hoje conhecida como Revolta Sumuroy – é capturado e assassinado pelos espanhóis, vindo o movimento a ser derrotado em sua completude pouco depois.

31 de maio de 1968 – Trabalhadorxs de Daccar, Senegal, iniciam uma grande greve geral

A imagem mostra dezenas de trabalhadores senegalenses reunidos em manifestação, em maio de 1968

Por Gustavo Seferian

Muito embora o mês de maio de 1968 nos remeta quase que diretamente à experiência de lutas francesa – ou quando muito alemã -, experimentada desde fábricas e universidades,não podemos deixar de ter em conta que se trata esta de uma percepção com fortes marcas eurocêntricas, sendo certo que o ano de 1968 marcou o processo de lutas de classes em escala global, com precedentes apenas nos eventos ocorridos 120 anos antes daqueles.

Checoslováquia, México e Brasil são exemplos disso, e de mesmo modo o continente africano não passou ao largo destas convulsões.

Em um mês extremamente conturbado, tomado por mobilizações estudantis, Daccar, no Senegal, também foi palco de profundas lutas e enfrentamentos por um mundo novo. Em 31 de maio, no desembocar desse mês, uma grande greve geral irrompeu na cidade, ensejando grande escala de repressão, prisão de líderes sindicais e conflitos nas ruas da cidade.

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