3 de agosto de 1977 – Como resposta à explosão da mina de Chipanga 3, irrompe uma rebelião popular

A imagem mostra uma locomotiva encalhada e completamente enferrujada, com arbustos crescendo sobre ela, e uma dupla de jovens passando com uma motocicleta na sua frente

Por Gustavo Seferian

Como em outras tantas experiências que marcam o processo de exploração do povo africano e da dilapidação das riquezas naturais do continente, a explosão da mina Chipanga 3, em Moatize, Moçambique, fez revelar a imbricada relação existente entre o modo de produção capitalista, a destruição de vidas humanas e da natureza não-humana.

A explosão, dada no dia 2 de agosto de 1977, matou 64 trabalhadores. Um ano antes, uma explosão no mesmo complexo, na mina Chipanga 6, matara 98 trabalhadores.

Estupefatos com o descaso com suas vidas, os mineiros se colocaram em luta e se rebelaram contra os gestores – estrangeiros, europeus! – da mina, assassinando nove agentes da colônia, que perdurou afirmando seu domínio e o sentido da organização da vida das moçambicanas e dos moçambicanos mesmo após a independência do país, conquistada pela guerra de libertação finda dois anos antes.

Que o trem abandonado, que marca hoje a paisagem de Moatize, nos recorde que é apenas a ação insurrecional que nos fará acionar o freio de emergência desta locomotiva que nos leva ao abismo e à morte.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: