4 de agosto de 1919 – Tropas romenas ocupam Budapeste e colocam fim à resistência comunista constituída com a República dos Conselhos

A imagem mostra Béla Kun discursando em Budapeste a uma multidão apinhada até mesmo em postes e prédios

Por Gustavo Seferian

Ainda que a historiografia oficial projete o fim da República dos Conselhos ao dia 1o de agosto de 1919, esse ato foi a derradeira estocada em um coração que, agonizante, ainda pulsava desde Budapeste.

O regime burocrático experimentado no país após a II Guerra Mundial acabou se amarrando a esta potente experiência, e ainda macula em muito sua memória, bastando lembrar o quanto a marca do “comunismo” é profundamente negativa no país hoje governado por Viktor Órban.

Que possa o povo húngaro, redimido das experiências políticas de cariz estalinista e neofascista, possa novamente se aglomerar – como em 1919, como em 1956! – reivindicando o novo desde a radicalidade democrática e socialista!

3 de agosto de 1977 – Como resposta à explosão da mina de Chipanga 3, irrompe uma rebelião popular

A imagem mostra uma locomotiva encalhada e completamente enferrujada, com arbustos crescendo sobre ela, e uma dupla de jovens passando com uma motocicleta na sua frente

Por Gustavo Seferian

Como em outras tantas experiências que marcam o processo de exploração do povo africano e da dilapidação das riquezas naturais do continente, a explosão da mina Chipanga 3, em Moatize, Moçambique, fez revelar a imbricada relação existente entre o modo de produção capitalista, a destruição de vidas humanas e da natureza não-humana.

A explosão, dada no dia 2 de agosto de 1977, matou 64 trabalhadores. Um ano antes, uma explosão no mesmo complexo, na mina Chipanga 6, matara 98 trabalhadores.

Estupefatos com o descaso com suas vidas, os mineiros se colocaram em luta e se rebelaram contra os gestores – estrangeiros, europeus! – da mina, assassinando nove agentes da colônia, que perdurou afirmando seu domínio e o sentido da organização da vida das moçambicanas e dos moçambicanos mesmo após a independência do país, conquistada pela guerra de libertação finda dois anos antes.

Que o trem abandonado, que marca hoje a paisagem de Moatize, nos recorde que é apenas a ação insurrecional que nos fará acionar o freio de emergência desta locomotiva que nos leva ao abismo e à morte.

2 de agosto de 1953 – No marco da Revolução Boliviana, tem início a reforma agrária e institui-se o Dia do Índio

A imagem mostra trabalhadores rurais bolivianos com enxadas erguidas ao alto

Por Gustavo Seferian

Complexo, duradouro e tristemente interditado, o processo revolucionário boliviano encadeou conquistas políticas e sobressaltos. No dia 2 de agosto de 1953, dois importantes marcos foram alcançados: o início da reforma agrária, medida indispensável para ceifar as desigualdades históricas postas no país pelos processos de despossessão dos povos originários em suas formas de reproduzir a vida, e o reconhecimento do Dia do Índio, que remete às bases constitutivas da massa da população oprimida da Bolívia, que, explorada historicamente, dá a sustentação à riqueza concentrada de uma meia dúzia de agentes estrangeiros do capital.

Ainda hoje…

1o de agosto de 1902 – Explode a mina de carvão do Monte Klemba

A imagem mostra algumas dezenas de trabalhadores sobre os escombros de pedras que se amontoaram nas portas da mina do Monte Klemba

Por Gustavo Seferian

Na virada do dia 31 de julho para o dia 1o de agosto – dia da Pachamama -, explodiu na região de Wollongong, Austrália, a mina de carvão do Monte Klemba.

Sendo este um dos maiores acidentes de trabalho da história australiana, assassinando 96 trabalhadores – em sua massa maioria jovens -, não trouxe, efetivamente, grandes contribuições às perspectivas de saúde e segurança no trabalho no país: muito embora tenha se constatado que a explosão resultou do uso de iluminação inflamável, isso após contato com um vazamento de gás, é certo que o uso destes meios de prover visibilidade levaram ainda quatro décadas para serem proibidas na mineração.

Mais um mês de luta

A imagem mostra diversos homens, mulheres e crianças moçambicanas com punho em riste, no ano de 1975, nos marcos da libertação do jugo colonial

Por Gustavo Seferian

O blog parou. Mas a memória seguiu retumbando, pois a luta dos oprimidos e oprimidas nunca cessou em toda sociedade de classe, e não cessará enquanto não virarmos esse mundo em festa, trabalho e pão.
Condensamos aqui mês e meio de atraso público, expresso em ebulição permanente, de saltos e retrocessos, trunfos e derrotas, lições valorosas para hoje e sempre.

  • Em 1973, o dia 20 de junho foi marcado pelo massacre de Ezeiza. Nas imediações do aeroporto internacional de Buenos Aires, partidários peronistas de diversas nuances políticas o esperavam retornar do seu último exílio. Antes de sua chegada, peronistas de extrema direita abatem a tiros, após conflito, militantes revolucionários motoneros;
  • Em 1830, no 21 de junho, nasce, filho de mãe escravizada, Luís Gama. Rábula, artífice da libertação de escravizados e escravizadas no país, foi, sem dúvidas, uma das figuras que mais me orgulho de ter dividido os bancos da Faculdade que cursei. Nove anos depois, veio ao mundo outro herói negro, crítico da escravidão, Machado de Assis;
  • Em 1920, no 22 de junho, em Milão, uma manifestação de ferroviários acaba com forte repressão policial, resultando na morte de cinco jovens trabalhadores e muitos outros feridos;
  • Em 1936, no 23 de junho, nasce Carlos Fonseca, herói da revolução nicaraguense;
  • Em 1535, no 24 de junho, é debelado o Estado anabatista de Munster, que guardava por principal liderança Bernard Rothmann;
  • Em 1975, no 25 de junho, Moçambique consegue sua independência depois de largos anos de luta pela libertação. Como aprendi nos cantos da FRELIMO, dia de “liberdade e alegria”!;
  • Em 1968, no 26 de junho, ocorre a passeata dos 100 mil, em resposta ao assassinado do estudante Edson Luís de Lima Souto, que protestava no “Calabouço” – refeitório estudantil – contra o aumento do preço das refeições;
  • Em 1869, no 27 de junho, nasce na Lituânia Emma Goldman, revolucionária anarquista, que manteve seu vigor militante até os últimos dias da vida;
  • Em 1945, no 28 de junho, nasce na Bahia Raul Seixas, um dos nossos grandes rebeldes da cultura, que me acompanha desde a primeira infância como influência;
  • Em 1941, no 29 de junho, nasce Stokely Carmichael, revolucionário tobaguenho, primeiro ministro honorário dos Panteras Negras;
  • Em 1892, no 30 de junho, tem início a greve de Homestead, que uma semana depois teria um desfecho tenebroso, com o assassinato de diversos operários do aço por parte de agentes da Pinkerton;
  • Em 1863, no 1o de julho, comemora-se o primeiro Keri Koti, a abolição da escravatura em Suriname;
  • Em 1823, no 2 de julho, desfecha o processo insurrecional conhecido como independência da Bahia, que em verdade é nossa verdadeira independência popular, ao revés da ocorrida no ano anterior, de caráter palaciano;
  • Em 1917 – ah, que ano! -, no 3 de julho, nasceu João Saldanha, comunista, jornalista e técnico de futebol. Técnico da seleção brasileira em 1970, foi afastado de seu posto pouco antes da Copa do Mundo por conta de seus posicionamentos políticos, que sempre defendeu abertamente, nos lembrando que o futebol nunca foi apenas um jogo;
  • Em 1899, no 4 de julho, nascia Benjamin Péret, poeta surrealista e militante trotstkista, que grande parte teve no pensar e transformar do Brasil;
  • Em 1924, no 5 de julho, começa a Revolução Esquecida, em São Paulo, processo que desemboca na criação da Coluna Prestes;
  • Em 1988, no 6 de julho, mesmo dia do nascimento de Frida Kahlo, um dos maiores desastres socioambientais da história ocorre no mar da Escócia, com a explosão da plataforma de petróleo Piper Alpha;
  • Em 1953, no 7 de julho, Ernesto “Che” Guevara começa sua viagem de motocicleta pela América Latina;
  • Em 1942, no 8 de julho, são libertados os três presos de Bragado, na Argentina, militantes anarquistas injustamente detidos desde 1931;
  • Em 1917 – novamente! -, no 9 de julho, é abatido a tiros o jovem sapateiro espanhol José Martinez, no curso da greve geral que irrompia em São Paulo. Sua morte, dias depois, levará à massificação do movimento;
  • Em 1909, no 10 de julho, nasce Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino, que com suas esculturas marcou de modo indelével a cultura popular brasileira;
  • Em 1893, no 11 de julho, irrompe a primeira revolução nicaraguense, que, limitada, liberal, coloca Zelaya no poder;
  • Em 1975, no 12 de julho, também no bojo das lutas que resultaram as guerras coloniais, o povo de São Tomé e Príncipe conquista sua independência;
  • Em 1990, no 13 de julho, é promulgado o Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil, que em seus primados normativos ainda traz batalhas indispensáveis a serem implementadas em nossa realidade social brasileira;
  • Em 1958, no 14 de julho, mesma data da tomada da Bastilha, irrompe a revolução democrática e anti-monárquica iraquiana;
  • Em 1927, no 15 de julho, Viena é palco de um massacre operado pela polícia nacional, que assassinou 89 militantes social-democratas e, no bojo do conflito, levou à morte de 5 agentes da repressão;
  • Em 1809, no 16 de julho, forma-se no bojo da primeira revolução boliviana a Junta Tuitiva, primeiro governo independente da América Latina;
  • Em 1979, no 17 de julho, no bojo da revolução sandinista, Somoza deixa seu cargo e foge para Miami, vindo a renunciar à presidência nicaraguense no dia seguinte;
  • Em 1981, no 18 de julho, milhares de pessoas saem as ruas de Dublin em apoio à greve de fome dos militantes do IRA presos em regime especial, sendo o movimento duramente reprimido, resultando em mais de 200 feridos;
  • Em 1893, no 19 de julho, 5 anos antes de Herbert Marcuse, nasce Vladimir Maiakovsky, poeta revolucionário russo;
  • Em 1913, em 20 de julho, nasce Lucien Goldmann, professor, teórico e militante marxista;
  • Em 1948, em 21 de julho, nos marcos da perseguição anti-comunista, são presos diversos dirigentes comunistas nos Estados Unidos, por força da Lei Smith;
  • Em 1920, em 22 de julho, nascia Florestan Fernandes, um de nossos maiores teóricos e revolucionários;
  • Em 1993, na madrugada do dia 23 de julho, ocorria a chacina da Candelária, que deixou 8 jovens mortos;
  • Em 1936, no dia 24 de julho, no bojo da Revolução Espanhola, a Coluna Durutti, composta por 2500 pessoas, sai de Barcelona visando a libertação de Zaragoza;
  • Em 1851, no dia 25 de julho, é conquistada a manumissão das pessoas escravizadas no Equador;
  • Em 1953, no dia 26 de julho, uma coluna de jovens guerrilheiros assalta o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba. Liderados por Fidel Castro, e não obstante a derrota da insurreição, do processo faz-se irromper o Movimento 26 de julho, gérmen da revolução cubana que depois de 6 anos viria a triunfar;
  • Em 1979, no dia 27 de julho, nasce Marielle Franco, nossa lutadora executada pelas milícias, cuja vida e luta recordamos todos os dias;
  • Em 1821, no dia 28 de julho, José de San Martin declara a independência do Peru;
  • Em 1848, no dia 29 de julho, irrompe no cerne da Primavera dos Povos a insurreição irlandesa de Tipperay, que como outros tantos levantes no ano acaba malfadado;
  • Em 1811, no dia 30 de julho, Miguel Hidalgo, artífice da libertação mexicana, é executado;
  • Em 1974, no dia 31 de julho, Rodolfo Ortega Peña é assassinado pela Alianza Anticomunista Argentina – ou simplesmente Triple A -, congênere argentino do Comando de Caça a Comunistas – o CCC;
    A partir de amanhã, voltaremos com postagens diárias!=D

17 de junho de 2013 – As Jornadas de Junho tornam-se massivas

A imagem mostra o Largo da Batata, na Zona Oeste de São Paulo, repleto de pessoas no início do ato do dia 17 de junho de 2013.

Por Gustavo Seferian

As Jornadas de Junho de 2013 tiveram no dia 17 certamente seus mais surpreendentes eventos.

Depois dos ocorridos no dia 13 do mesmo mês, em que a truculência da polícia fez irromper uma segunda Batalha da Maria Antonia, o ato contra o aumento da passagem de ônibus foi chamado não mais para o centro de São Paulo, mas para o Largo da Batata.

A surpresa começou na chegada: mesmo antes do horário marcado, se perdia de vista o número de pessoas.

Tornou-se impossível encontrar amigx, colegas e camaradas.

Pelo ofício que na época exercia, a advocacia, estava destacado para com outrxs camaradas tomar a dianteira na segurança da organização que militava, o CSOL. Não conseguíamos nem se comunicar, pouco nos cruzávamos. Parado na Av. Faria Lima, esperando nosso “bloco” chegar, a quantidade de pessoas que transitava e passava era imensa. Não paravam de passar.

Indo para onde? Ninguém sabia bem.

Paramos no Palácio dos Bandeirantes, quilometros e quilometros dali.

Um dia marcante, uma energia que nunca tinha visto, em que pese com energia tive também que agir em um certo momento que tentaram puxar minha bandeira do PSOL para o chão (energia essa que não foi possível manter dias depois as mesmas em riste).

Chegando em casa, pude também ver as notícias: no Rio de Janeiro, os atos certamente alçaram o milhão de pessoas nas ruas. Em Brasília, as casas de poder foram escaladas e simbolicamente tomadas pelos manifestantes. Outras grandes e pequenas cidades tiveram atos significativos. O brado que a indignação não era por 20 centavos tomou o país.

Como todo movimento, se colocou em disputa. Na certa, esta não foi vencida por forças políticas progressistas ou revolucionárias. Parte decisiva disso teve conta o Governo Federal de então: seja criminalizando desde o momento zero os manifestantes, tomados por baderneiros, seja por não dar ouvido aos gritos das ruas, serviu de contraponto político que ensejou no esmorecer do processo ou, como alguns leem, em sua degeneração.

Seja a interpretação que venha a ser dado para esse processo, um outro grito não se faz calar desde então: amanhã (ou depois de amanhã) vai ser maior!

16 de junho de 1975 – Levante de Soweto


A imagem mostra o estudante Hector Pieterson, de 13 anos, assassinado na manifestação, sendo carregado após ser baleado.

Por Gustavo Seferian

Em uma marcha pacífica, mais de 20 mil estudantes protestavam contra a desigualdade educacional existente na África do Sul marcada pelo apartheid, em que as escolas segregadas encontravam-se em um grau de precarização acentuadíssimo.

A manifestação foi reprimida pelas forças policiais, apontando os dados oficiais que 95 estudantes foram mortos por fuzilamento, enquanto um dado consolidado pela historiografia autorizada alcança o dobro desse número, sabendo-se de contas que o alçam a quase sete centenas de vítimas.

15 de junho de 1918 – Inicia-se o movimento que ensejou a Reforma Universitária de Córdoba

A imagem mostra foto de estudantes que ocuparam a Universidad de Córdoba hasteando bandeira em seu cume

Por Gustavo Seferian

Muito embora o movimento por democratização do ensino universitário e a construção de uma universidade popular latino-americana já se desse há algum tempo, tem no dia 15 de junho de 1918 momento simbólico. Foi nessa data que as e os estudantes da universidade tomaram fisicamente suas instalações, impedindo a realização de eleição para reitor que teria como consequência a manutenção do estado de coisas que se colocavam contrários.

Universalizando o acesso, consagrando a autonomia universitária, a realização de concursos públicos para professores e ,mais relevante, a cogestão dos setores que compõem a vida universitária no ditar de seus rumos, serve-nos de inspiração para não só conter a onda de retrocessos que se coloca ante as universidades brasileiras, mas também para que aprofundemos a participação popular na construção desta indispensável instituição.

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