
14 de agosto de 1791 – Desdobrando-se desde um ritual vudu em Bois Caïman, inicia-se a Revolução Haitiana



Por Gustavo Seferian
Se muitos defeitos pode ter Fidel, certamente suas qualidades superaram-nos de longe: espírito inquieto, nem mesmo o curso de direito foi capaz de administrá-lo. Conhecedor da história de seu país e dos heróis que lutaram por sua libertação, tomou forças destas experiências para construir, corajosamente e junto com outros tantos camaradas combatentes, experiências insurrecionais sem precedentes. Entre 26 de julhos de 1os de janeiro, fez tombar o jugo yankee naquele que parecia ser o mais enraizado quintal estadunidense. Os frutos da revolução – que não feita por só um homem, ou dois, ou quatro, mas sim por todo povo cubano – ainda seguem irredutíveis à contrarrevolução – essa sim encabeçada por poucos – e devem seguir sendo entoados como uma conquista dos oprimidos e oprimidas de nosso tempo.

Por Gustavo Seferian
Liderados por José Bové – que a partir de então ganharia crescente notoriedade internacional – e inaugurando o uso de método que passou a se combinar com ocupações de outras naturezas e intensidades mundo afora, um conjunto de camponeses franceses desmontou a loja do McDonalds na pequena cidade francesa de Millau.
A ação tinha por intenção protestar contra as políticas de globalização capitalistas orquestradas pela OMC e de modo subserviente acatadas pelo governo francês, que traziam consequências gravíssimas aos pequenos produtores rurais do país.
Bové foi preso em razão da ação, fato que não impediu que o “desmonte” da loja fosse apoiado pela massa maioria das e dos franceses.

Por Gustavo Seferian
Em um dos maiores desastres empresariais vivenciados no subcontinente indiano – só não maior que o de Bophal –, o rompimento de uma barragem, em Morbi, Índia, levou à morte mais de 15 mil pessoas. Números outros fazem alcançar em mais de 20mil o número de vítimas, resultantes estruturais da ganância que, quando ceifa vidas, invariavelmente é a de trabalhadores e trabalhadoras.

Por Gustavo Seferian
Em que pese se projete à Revolução Francesa o por fim à monarquia na França, esta não se deu no dia zero do processo. Foi justamente no dia 10 de agosto, 228 anos atrás, que o povo parisiense nas ruas e em massas fez tombar na prática o Antigo Regime.


Por Gustavo Seferian
Contados de hoje 78 anos, teve inicio um dos mais importantes movimentos que impulsionaram o fim do jugo colonial na Índia.
Levando no dia seguinte à prisão de um de seus principais líderes, Mahatma Gandhi, catalisou a afirmação auto-determinda dos povos do subcontinente indiano e fez ruir o já moribundo império britânico.

Por Carla Benitez
Prefiro pensar leis protetivas de grupos oprimidos e explorados como possíveis momentos das lutas das maiorias. A Lei Maria da Penha foi a expressão de um acúmulo de reivindicações e engajamentos de grupos feministas nas décadas anteriores.
Nestes 14 anos é inegável que esta Lei empurrou Estado e sociedade a visibilizar as especificidades das variadas e combinadas formas de violência doméstica e familiar contra a mulher. Colocou na pauta do noticiário, nas conversas cotidianas e se apresentou como urgente necessidade de se efetivar uma política pública especializada de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar – com o nosso tensionamento constante para que esta rompa com a ideologia familista e não aprofunde processos de revitimização e racismo institucional.
De lá pra cá, o neoliberalismo em crise aprofunda a estrutural violência de gênero. De um lado, a precarização e vulnerabilização da vida das mulheres trabalhadoras, de outro uma masculinidade tóxica colocada em xeque quando a ilusão de um suposto lugar provedor e dominador não se sustenta em leve sopro.
Ciente de que nem todas almejam o caminho de “ir às últimas consequências” trilhado pela senhora Maria da Penha e, assim, buscando costurar por dentro as críticas aos limites do apelo ao sistema penal e à sua impossível função de proteção de direitos humanos, é preciso que se registre a data desta importante conquista feminista no Brasil, fazendo da sua defesa intransigente uma forma de resistência à política de ataque e destruição aos direitos humanos especiais das mulheres.
A Lei Maria da Penha não basta, mas sua defesa e superação positiva são imprescindíveis enquanto uma de nós estiver sofrendo os efeitos violentos do patriarcado em nossos lares.

Por Gustavo Seferian
Em um dos mais importantes passos tomados pela revolução cubana em sua deliberada conformação socialista, são nacionalizados os bens de empresas estadunidenses.
O fato foi anunciado no Estadio del Cerro – hoje, Estadio Latinoamericano – e veio como resposta às medidas de embargo aplicadas pelo governo Eisenhower.
No texto lido, escutou a multidão reunida no espaço desportivo:
Se dispone la nacionalización, mediante la expropiación forzosa, y por consiguiente se adjudican a favor del Estado cubano, en pleno dominio, todos los bienes y empresas ubicados en el territorio nacional, y los derechos y acciones de emergentes de la explotación de esos bienes y empresas, que son propiedad de las personas jurídicas nacionales de los Estados Unidos de Norteamérica, u operadoras empresas en que tienen intereses predominantes nacionales de dicho país, que a continuación se relacionan.
Seguiu então a fala nominando as empresas, dentre as quais estavam a United Fruit Co. – a mesma do massacre das bananeiras, já tratado nesse Calendário Insurgente – , Texaco, Esso, Sinclair
O governo cubano, como em outras tantas ocasiões, dava não só exemplo de coragem como também que só pela auto-determinação – mediada, no caso e ainda, pela soberania nacional – os oprimidos podem fazer frente ao jugo imperialista.

Por Gustavo Seferian
Há exatos 125, perdíamos Friedrich Engels.
Intelectual brilhante e autêntico – trouxe diversas contribuições originais ao campo teórico, isso para além de ser parceiro da mais quente hora e legatário de Marx –, militante comprometido – militando desde o fim da primeira metade do século XIX, sendo depois um dos principais articuladores da II Internacional – e arguto intérprete de nosso mundo – contribuindo com olhares originais e obras de caráter vanguardista inescapáveis, como a Situação da classe trabalhadora na Inglaterra e a Origem da família, da propriedade privada e do Estado -, Engels reclama ser retirado da sombra da colossal figura de Marx para que possa, em suas particulares contribuições e tropeços, ser entendido enquanto sujeito autônomo.
Afinal, resgatando Maiakovsky desde Caetano e Campos, gente é pra brilhar. E poder reconhecer cada um de nossos brilhos – já que mais brilho é MAIS BRILHO! – faz-se sempre necessário!